Audio – para quem gosta de ouvir ler em voz alta
Hoje troco palavras com alguém que é expressão escrita e oral, uma senhora criadora de pontes relacionais entre variadas manifestações onde a palavra se encaixa.
O que queria ser, o que é, e o seu hobbie intersectam-se e culminam num denominador comum, a comunicação.
Em adolescente enamorou-se por Kundera, até que descobriu Lispector prevendo incessantes possibilidades nos lugares-livros desta escritora, que passou a ganhar quase toda a sua estima.
Se lhe perguntasse quem gostaria de ressuscitar para entrevistar, receberia “Clarice” como resposta e, seguramente, faria deste encontro um interminável prazer literário.
Para a minha companheira de conversa de hoje, todos os lugares são bons para receber a companhia de um livro e as estações do ano não influenciam as opções das leituras, pelo contrário, será a conjuntura da natureza a promover preferências.
Não tem memória da última carta escrita, mas sente saudades de o fazer. Sugiro que retome… há por aí muitos que já o fizeram.
Esclarecida relativamente ao seu papel na vida e na sociedade, cruza-se com pessoas num frenesim que acalma na brandura da escrita, pragmática e ainda assim próxima e pessoal.
É pivôt da sua vida, participante incansável em ambientes literários, acomodando diálogos no seu dia-a-dia.
À pergunta sobre o que vai bem com livros responde-me, convincente << Um café e uma (boa) conversa… sobre livros e autores que nos marcam o pensamento e a vida. >>.
Ficou-me esta ideia de “marcar o pensamento e a vida”. Considero que a leitura aprimora o entendimento, desconstrói noções pré-estabelecidas e impele a discursos cuidados, fortalecendo a essência de cada persona.
O ajuste do “eu” é, assim, plausível de ser concretizado, consubstanciado, justificado e aceite pela consciência da natural influência que os livros, propositadamente, fixam em cada um.
Para esta senhora a encadernação é intemporal e escolhendo um livro para encadernar seria “A descoberta do mundo”, porque como diz «É um tratado do ser, tem respostas para (quase) tudo.» E as respostas, devem ser guardadas em belíssimas capas.